top of page
Buscar

Do que se atravessa em uma análise

  • Foto do escritor: Rafaela de Joani
    Rafaela de Joani
  • 29 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura

Uma análise não está no ato de pagar por uma sessão ou no tempo despendido a cada semana.


Está mais além do relato semanal, das crises e dos dilemas cotidianos.


Não se trata de falar apenas do passado, do presente ou do futuro.


Ela provoca uma rachadura no tempo, que se torna distendido.


É no espaço-tempo de uma palavra equivocada, no indizível que escorrega pela boca ou no sentido que escapa, do sentido que amolece, que perde consistência.

A análise se esboça no intervalo entre uma certeza inquestionável e uma questão que se levanta. É a própria interrogação que se coloca em uma narrativa contada quase sempre nos mesmos termos e provoca uma brecha.

Ela faz morada na transferência, no vínculo que se estabelece com um estranho que, por alguma razão, não parece tão estranho assim, talvez até familiar.  

Nesse entrelaçamento, a repetição que se instala não é rechaçada, mas escutada. Ela deixa de ser o monstro repulsivo do qual nos escondemos ou criamos estratégias de fuga. Descobre-se que isso não dá conta, porque ela insiste.

Ao contrário do que se diz, repetição não é retrocesso ou símbolo de fracasso. A repetição carrega em si a possibilidade de reconhecimento e elaboração.

Por isso se diz que uma análise está para além de uma demanda inicial ou pontual, aparentemente tão objetiva e solucionável pela sugestão de um Outro capaz de responder ou atender.

Os sintomas insistem, ainda que sob novas roupagens. Não significa trocar o que está desajustado por algo mais ajustado, o menos adaptado pelo mais adaptado.

Pagar o preço por nossos sintomas é a aposta de um atravessamento: não se passa por cima ou por baixo, mas entre. Da brecha que se abre com uma interrogação não se sai ileso e, quando há ruptura, a narrativa pode ter um outro desfecho.

 
 

Posts recentes

Ver tudo
O compromisso com a terapia.

Numa psicoterapia, dizer que o trabalho também está do lado do paciente significa implicar a sua responsabilidade pelas transformações...

 
 
A bagunça organiza.

Você procura por um objeto em casa, ele não está ali onde você costumava deixar. De início, você procura não fazer tanta bagunça, já...

 
 
Logo do site

Rafaela Albuquerque de Joani - CRP: 06/166658 - São Paulo - Brasil

Telefones úteis no Brasil em caso de emergências em saúde mental: SAMU 192 - Corpo de Bombeiros 193 - CVV 188

bottom of page